Vamos lá!

Acredito em um livro como creio nos sonhos ,

dedico-me à troca de pensamentos como às pessoas que amo



sábado, 26 de fevereiro de 2022

Inicio das aulas de 2022

Amores, Fiquei um ano sem postar neste blog porque achei que já estavam saturados de diálogos remotos. Agora que as aulas voltaram totalmente ao presencial, voltarei a postar semanalmente. Normalmente será na sexta, mas quando houver muita demanda na semana posto sábado, como faço agora. A ideia deste blog é nos aproximar mais e eu dar exemplo, fazendo tudo o que cobro de vocês.Isso ajuda a entenderem melhor os conteúdos e dinâmicas, além de ser uma memória para aqueles que perderam alguma aula, seja por falta, feriado ou abono. No começo do semestre sempre faço pesquisas diagnósticas quantitativas e qualitativas diagnósticas que dialogam com a questão central do ano: "Como nos tornamos quem somos?". Organizo tabelas sobre os gostos de vocês acerca dos recursos de conhecimento e peço uma redação em grupo sobre a questão citada acima. As respostas são bem diversas e é isso que deixa a troca interessante. Aparecem dores,alegrias,esperanças,coragem e resiliência. Sou fã de vocês!! Agora vou me apresentar a partir de uma redação como lhes pedi:
COMO ME TORNEI QUEM EU SOU? Minha mãe conta que nasci dorminhoca, comilona, tranquila e extrovertida. As três últimas características foram reforçadas ao longo da vida. Tanto na família materna (do Rio Grande do Sul), como na paterna (Minas e Goiás), sempre tivemos grandes encontros nos finais de semana com muita comidas, crianças, conversas. Minha casa também era cheia: 4 irmãos, dois primos e tia, além dos agregados (amigo e outros parentes que sempre apareciam e dormiam conosco). Estudávamos todos em escolas públicas e fazíamos grupos de estudos. Aprender era sempre um prazer, seja com parentes, primos, colegas, professores, livros, revistas ou com a natureza. Fazíamos muito acampamentos, luais e viagens de combi. Meus pais estimulavam a contemplação das belezas naturais cotidianas, a vida em comunidade, a igualdade e a liberdade. Na infância, a brincadeira que eu mais gostava era fazer piquinique com as colegas da escola e da quadra. Quando eu ficava triste, incompreendida ou sozinha, recorria às árvores, águas, céu, à música, à imaginação e aos livros. Na adolescência, participei de grêmios e encontros estudantis, manifestações políticas, fiz capoeira e ganhei toda a cidade. Organizei festas, acampamentos e viagens com meus irmãos e amigos. Era bastante livre, mas as vezes me senti desprotegida. Me meti em algumas enrascadas, mas saí razoavelmente ilesa delas. Engravidei com 20 anos do meu namorado. Casei e tive mais um filho com 23 anos, quando estava me formando na faculdade de Sociologia da UnB. Já trabalhava como professora, um sonho de infância realizado. Separei e fiz a faculdade de Educação Física, o que me deu mais recursos como professora e mãe. Tive mais dois filhos do meu atual marido que amo muito e é meu parceirão. Perdi meu pai em 2018, mas honro a sua vida levando adiante as coisas boas que ele me legou. Tenho a casa cheia como era a dos meus pais, com todos os filhos e vários amigos. Gostamos de andar em bando. Existem conflitos e desgastes, mas vamos resolvendo com muito diálogo e resiliência. Desde pequena fui estimulada a ser muito responsável o que me trouxe muitos ganhos, mas também ônus. Sou empática, solidária e aberta ao outro, por isso também tenho muito apoio e parcerias. Por outro lado, me exijo muito. Gostaria de dormir muito mais do que tenho conseguido e dar uma atenção de maior qualidade aos filhos. As vezes me sinto exausta! Então, vou seguindo acionando fisioterapeuta, médicos,yoga, amigos e parentes para conseguir levar tudo aquilo que me proponho com saúde e animação. Faço cursos e projetos constantemente, pois me fazem sentir em movimento. Parar para mim é a morte. Sei que isso tem a ver também com a época em que vivemos: muita informação, transformação e pressão para a ação.No mundo do "tempo é dinheiro" transformamos tudo em trabalho. Descansar nos faz sentirmos culpados, pois somos treinados a fazer sempre e nos tornarmos melhores, pois a competição excludente "corta cabeças". Contrabalanço isso contemplando o pôr do sol e a lua, como meus pais me ensinaram. Estar na natureza muda meu estado e faz eu me sentir em movimento com a todo o universo, aliviando as pressões sociais nefastas e transmutando-as para algo positivo. Enfim, sou muito do que a família me formou, mais um pouco das influências da escola,amigos,cultura, mídia,economia e geopolítica internacional. Também sou aquilo que escolho dentro dos recursos e compreensões que tenho acesso. "Nós somos o que fazemos do que fizeram de nós" Sartre
O QUE FIZEMOS E O QUE FAREMOS NAS AULAS: Toda semana quero que vocês façam um relatório crítico sobre as aulas e vivências. Sempre se posicionando e explicitando o que levam para a vida de vocês. Cobro isso também dos estagiários e farei aqui para dar o exemplo: Já contei um pouco acima o que aconteceu nas nossas 2 primeiras aulas de sociologia. Fiquei bem impressionada com os textos de vocês, mas nem sempre consegui aproveitar tão bem as colocações, seja pelo tempo curto, seja porque eu estava mentalmente cansada. Estou reescrevendo o meu cronograma de aulas e devo colocar para vocês na próxima sexta, de modo a facilitar o acompanhamento. O de projeto de vida também será colocado aqui, pois é uma complementação importante do trabalho. Estou ajustando com os professores de humanas e o Anderson para ficar mais efetivo. Como estamos falando de pesquisa, pedi para cada um fazer 3 entrevistas com mulheres que lhes inspiram. A questão chave das entrevistas é "Como você se tornou quem é?", mas vocês devem estimular ao máximo as entrevistadas para terem mais informações. Sugestões de perguntas: 1) Onde nasceu/ cresceu? Como era ? 2) Como foi a sua infância e adolescência? O que teve de bom e ruim? 3) Quais eram seus sonhos? Realizou? Como? Por que? 4) Em que você trabalha/ contribui para a sociedade? Você gosta? Por que? 5) Que projetos você tem para o futuro? 6)Que sugestões você dá para os jovens se tornarem o que querem? Vocês podem criar outras perguntas. O importante é aprenderem mais sobre quem influencia vocês. Defini que sejam mulheres por causa do projeto da semana da mulher (8 a 12/3). Na próxima postagem mostro uma análise das minhas 3 entrevistadas e mais detalhes do projeto. Nas próximas aulas, tragam as de vocês para debatermos e aprendermos mais "Como nos tornamos quem somos". acesso filme completo : https://drive.google.com/file/d/1oPe7wgbSpYS2hmQFKZaHD89a28BKwTKK/view?usp=sharing Sobre o filme Nunca me Sonharam e o bailinho, fiquei bem feliz com a atenção e engajamento de vocês. Estou curiosa para saber as percepções que tiveram e o que podemos fazer de bom na nossa escola com a parceria estudantil. Aproveitem bem o carnaval! Se cuidem!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Fechando finalmente ano letivo de 2020!

 Amores, estou exausta mas feliz!

 Vários alunos que tinham sumido ao longo do ano apareceram nesse final e conseguiram recuperar. Entendo que em geral é melhor passar do que reprovar de ano. Estamos sempre aprendendo e o que aprendemos ninguém nos tira.

 Esse ano foi muito difícil, mas aprendi a ser mais gentil comigo e com os outros, menos controladora, a buscar mais uma sabedoria conectada com o universo. Pude apoiar vários projetos e pessoas sem ser sempre a protagonista. Isso é muito gostoso: ver as coisas fluindo com a participação de mais sujeitos. A COPAFREIRE foi o maior exemplo de que o coletivo sabe mais do que uma só pessoa. Achei que não daria muito certo por conta do final de ano atribulado, mas foi lindo! 


Segue os links das gravações da abertura e encerramento dessa semana de confraternização:

Abertura : https://drive.google.com/file/d/1X1Qx3zOrzDzAleUOkJsAKHFq9THIzfl9/view?usp=drivesdk

 Gravação do Encerramento da COPAFREIRE: https://drive.google.com/file/d/1Xc1oYGWLfCP1TngvJm0LPZYSanXxnmGU/view?usp=sharing

As gravações dos jogos estou sem, mas foram muito legais. O que eu mais gostei foi o Show do Freirão, pois sinto que todos aprendemos muito! Pretendemos repetir nos próximos anos. 


TABELA COM AS EQUIPES E RESULTADOS NAS DIFERENTES MODALIDADES:

EQUIPE VÍDEO LOGO XADREZ GARTIC SHOW DO FREIRÃO LOL TOTAL CLASSIFICAÇÃO
BRASÍLIA 0 500 0 0 0 0 500 14°
SUIÇA 0 0 0 150 400 100 650 13°
COBRA KAI 0 500 100 100 100 100 900 12°
REDBULL BRASIL 400 500 100 100 200 0 1300 11°
SUIÇA 0 500 300 100 100 300 1300 11°
BRASIL 0 500 200 200 200 500 1600 10°
COLÔMBIA 0 500 0 150 1000 0 1650
LEVEL UP 500 500 0 500 100 100 1700
WOLF 500 500 400 100 100 100 1700
X FORCE (DEADPOOL 2)
500 500 100 0 500 300 1900
ARGENTINA 500 500 100 150 400 400 2050
NAURU 500 400 100 100 1000 0 2100
ESPARTANOS 500 500 500 100 100 400 2100
NIGELÔMBIA 500 500 100 300 500 300 2200
THE POWERPUFF GIRLS 500 500 0 400 1000 0 2400


LISTA DAS MEDALHAS:

Modalidade ouro prata  bronze
XADREZ EDUARDO SCARDUA 3ºD ALEX BRAZ 2ºE LEONARDO SILVA 1ºC
GARTIC Ana Luísa 3oB Mariana Rodrigues 2oA Alyne Ferreira 3oF
  Esther Ruth 3oB Sofia Tavares 2oA Yan S. Torres 3oF
  Beatriz Pereira 3oB Márcia Maria 2oA Brunna Messias 3oF
  Pietra Martins 3oB   Kethelyn Julie 3oF
  Isadora Ribeiro 3oB    
       
SHOW DO FREIRÃO  MARIANA RODRIGUES DA SILVA2°A ANDYARA 1oE BEATRIZ PEREIRA CARDOSO MIRANDA 2oG
  ANA FLAVIA PEREIRA MELLO 2oB CARLOS 1oB PAMELA VIEIRA DE SOUZA 2oG
  CARLA CRISTINA RODRIGUES LISBOA 2oB EDUARDO 1oA KAYLANE DI PIETRO VIEIRA MAFRA 2oG
  JULIA ROCHA FORTUNATO 2oB ANA LAURA R. OLIVEIRA ROCHEDO 3oF PAULO SERGIO DIAS VIEIRA 2oG
  ANA BEATRIZ G. MACHADO 3oA GABRIELA DE SOUZA BERNARDO 3oF ALESSANDRA RIBEIRO DA SILVA 2oC
  ARTUR ANDRADE NAVES 3oA PEDRO VITOR GONÇALVES PEREIRA 3oF GUILHERME MACHADO BARBOSA 2oC
  GEOVANNA B. DE ARAUJO 3oA   JULIA GABRIELLA DE PAULA SANTOS 2oC
      LUCAS ARAÚJO RIOS 2oC
      NATALLY RIBEIRO SAMPAIO 2oC
      PHILIPE DOS SANTOS MAGALHAES 2oC
       
LOL CAUÊ 3ºC PEDRO FAUSTINO 3ºD EDUARDO 1ºA
  JOÃO PEDRO 3ºC FERNANDA GEOVANA 3ºD YURI 1ºA
  CRISTIAN 3ºC GUILHERME MACHADO 2ºC CARLOS EDUARDO 1ºB
  HALRISSON 3ºC DANIEL FRAGOSO 2ºC ANDYARA 1ºE
  LAURA 3ºC ELOISA PARAGUASSU 3ºF VITOR 1ºC


A entrega das medalhas foram e serão feitas pela direção na escola. Os lanches sorteados para as equipes vencedoras, foram encomendados pelos professores. Cada um ficou responsável por estudantes que morava mais próximo da sua casa. A maioria conseguiu tele entrega, mas dois tivemos que fazer pessoalmente: 



Achei emocionante ver o envolvimento dos estudantes nessa reta final, inclusive daqueles com menos acesso. O comitê estudantil teve um papel importante nisso e assim também tiveram um lanche sorteado: 

 1- Rafaella Porto Guedes 2E
2- Miguel Guimarães Anselmo 3° ano D
3- Pâmela Vieira de Souza-2ºG
4- Renan de Sousa Rocha - 3° F
5 -Nathielle Lourenço 2°C
6- Gabriella Karyna - 3°E
7- Carlos Eduardo Moura Abe 1°B
8- Gabriella Cristina Dutra 3° B
9- Ianny Paniago de Marcelo Miranda Teixeira  2D
10-  Gabrielly 1K
11-  Anne Yasmin Coêlho Santos 3ºG
12- Ana Clara ?
13- Thiago ?
14- CARLOS EDUARDO 1B
15- GABRIEL FREITAS 3C
16- EDUARDO 1A    

GRATIDÃO PESSOAL!!

A parte do fechamento das notas, recuperação e conselhos já é realmente desgastante e um tanto frustrante por natureza. Mas foi legal ver muitos "recuperados". No próximo ano esperamos pelo menos fechar presencial com a chegada da vacina! 

Boas férias. E nos encontraremos em projetos de 2021!


sábado, 19 de dezembro de 2020

Retrospectiva 2020 e vislumbres do Ano Novo

 Amores, 

estamos fechando um ano calendário sem o encerramento do ano letivo. É a primeira vez que me acontece isso como professora. Foi realmente um ano muito diferente no qual sofri bastante, mas também aprendi muito. Revendo o vídeo que fizemos para o 2º Fórum de trocas da Secretaria de Educação, percebi o quanto realizamos: 



E depois desse vídeo ainda tivemos mais encontros on-line que não apareceram no vídeo, pois ocorreram após a sua confecção: 













Foi realmente difícil dialogar com tanto distanciamento, mas os eventos ajudaram a nos aproximar um pouco. Espero que as pesquisas que irão fazer para apresentarem na primeira semana de janeiro (8/01 às 14h) para todas as turmas também empolguem vocês, ajudando no crescimento coletivo. Além disso, desejo que o último evento interdisciplinar que será a COPAFREIRE nos alegre e una mais: 


 

Segue o formulário para cada equipe preencher até dia 4/01/2021. Lembrem que é uma equipe por turma, ou, se tiver poucos alunos interessados nos jogos, podem juntar duas turmas da mesma série. Por favor, só preencham um formulário por equipe! O importante é que participem de maneira organizada para curtirmos, aprendermos juntos. Valerá ponto para diversas disciplinas:

https://forms.gle/2YXWCGSbr3Q8HcrQA

Nos vemos em meets coletivos nos dias 7, 8 e 9 de janeiro! No mais, desejo um Feliz Natal com suas famílias e um ano de 2021 repleto de vida, saúde, alegrias, crescimento, paz e amor para todos nós!




domingo, 18 de outubro de 2020

7 meses de quarentena e o início do 2º semestre letivo

 Amores,

sete meses de quarentena e ainda tenho dificuldades para lidar com o medo e a ansiedade. Bom, foram 24 anos dando aulas e eu sempre fui uma pessoa ansiosa, mesmo sendo bastante corajosa. Estamos vivenciando imensa falta de controle sobre as coisa, mas ainda não morreu totalmente minha ilusão acerca de estar no comando. Meu marido e filha pegaram covid, e agora provavelmente um ex-aluno que mora conosco também. Reagiram bem à infecção, mas a angústia ficou bastante tempo impregnada no meu corpo e está bem expressa na minha pele. Eu mesma não peguei esse vírus, mesmo cuidando de todos. Talvez seja porque desenvolvi uma resistência cruzada pelas 3 dengues que tive (tem um pesquisador inferindo sobre essa relação). O fato é que sabemos pouco como lidar com a pandemia e estamos aprendendo a nos reorganizar frente a inusitados desafios. 

Trocar ideias sobre nossas vivências nos empodera, pois ajuda a refletirmos sobre nossa situação compreendendo melhor quem está em nossa volta. As primeiras atividades do semestre foram nesse sentido: potencializar trocas e autoconhecimento. Estamos focando na formação da identidade pessoal e coletiva na relação indivíduo/ sociedade. Estamos trabalhando com documentos de produção coletiva em cada turma, de modo a simular um pouco o diálogo em sala de aula. Nos meets apliquei a tecnologia do Círculo de Solidariedade Social desenvolvida pela teoria U para esta quarentena. Ontem fizemos um debate interdisciplinar sobre a obra do PAS " Aos olhos de uma criança". Gostei do resultados de todas essas atividades. Mesmo não sendo a maioria que participa, até por conta de questões tecnológicas, sinto que essas dinâmicas nos fortalecem, pois estimulam nossas redes de apoio. Além disso, facilitam a percepção de que nossos problemas transcendem nossa individualidade, tendo ressonância e raízes em todo um processo mais amplo, coletivo e complexo. Nos ajuda a desenvolver nossa Imaginação Sociológica (texto que trabalharemos nesta semana). 

Para termos um bom semestre letivo precisamos estar motivados à troca e ao aprendizado. Mas como se manter a motivação diante de situações incertas e com isolamento? Existem dicas científicas dadas em uma série do Netflix chamada "Eu e o Universo", no capítulo motivação. Mas também posso compartilhar outras coisa que têm me ajudado. Para começar, diálogos e arte me energizam bastante. Meditar, contemplar, ler e escrever também... Cada um tem algo que faz bem, ou que se sente seguro. Acionar esses recursos constantemente é como respirar. Abaixo segue materiais que me inspiraram neste mês e compartilho com amor para fortalecer nosso vínculo e caminhada: 


















 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

6 meses de quarentena e fechamento do semestre.

   Hoje é equinócio de primavera, amanhã aniversário do meu filho mais velho. Chuva, flores e frutos. Última semana de aulas do 1º semestre. Momento de autoavaliação e renovação.

 Este foi realmente um dos semestres mais desafiadores da minha carreira profissional. Minha experiência de 25 anos de docência me valeram pouco neste período tão conturbado da história mundial. Mesmo assim procurei dar o meu melhor, dentro das minhas possibilidades. Fiz cursos para aprender a lidar tanto com a comunicação digital, quanto com as novas formas de vinculação que deveríamos construir. Li e pesquisei muito, até para aplacar minha ansiedade, medo e tristeza. Aprendi novas tecnologias sociais como a Teoria U, o Dragon Dreaming, o love talk e o círculo de solidariedade social. Mantive projetos e ampliei parcerias. Sofri com a plataforma google e com minha desorganização em casa, mas observei falhas e fui corrigindo. Percebi claramente como sou perfeccionista e controladora. Refleti sobre o mal que isso causa a mim e aos outros. Treinei ser mais leve, presente, amorosa e libertária. Avancei um pouco nesse sentido, mas sei que ainda preciso melhorar muito. Equilibrar responsabilidades (inúmeras por sinal) com fluidez é realmente um desafio. Mas quando a gente para e pensa o que realmente é prioritário (saúde, qualidade de vida, amor, vínculo), conseguimos ter escolhas mais harmoniosas. No próximo semestre pretendo manter as 3 atividades coletivas que fizemos, pois acho que quem participou aprendeu e ampliou sua rede de apoio. Por outro lado, devo trabalhar apenas uma atividade e um material pedagógico por semana, pois achei que sobrecarreguei emocionalmente a vocês e a mim, em um contexto já bastante pesado por si só. Meu erro foi tentar passar tudo o que eu dava em semestres normais, desconsiderando a calamidade em que estamos. As vezes, “menos é mais”. No começo até estava encarando este momento como de aperfeiçoamento pessoal e coletivo. Porém, assim que tive de fechar notas voltei ao modelo tradicional e fiquei em dúvida sobre a efetividade de tudo isso. Lutarei bravamente contra esse sistema neurótico, buscando tecer mais redes de apoio. Também quero ouvir mais vocês para ter soluções melhores, amplas e efetivas. Estamos todos aprendendo e reaprendendo: isso é lindo e o objetivo aqui! Então, assino em baixo das palavras dos poetas:


“Se não houver frutos, valeu a beleza das flores. se não houver flores, valeu a sombra das folhas. se não houver folhas, valeu a intenção das sementes” - Henfil



“De tudo ficaram três coisas...
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!”

Fernando Sabino , O Encontro Marcado.

 


Espero que tenham aproveitado pelo menos um pouco do que conseguimos fazer neste período. Sempre tenho a sensação de que eu devia ter feito mais, ou faltou algo, independente de ser na quarentena. Quero parar com isso. Quero me sentir caminhando, crescendo, avançando, buscando meu melhor com tranquilidade, curtindo cada passo. 

Abaixo segue o MAPA MENTAL do conteúdo do 1º ano, que fiz em parceria com a professora Juliana Bessa . Foi um pedido de estudantes que atendi. Também fiz um áudio explicativo, mas não consegui colocar aqui.

 


 






quinta-feira, 13 de agosto de 2020

5 meses de quarentena, meu aniversário, semana do estudante e final do 1º bimestre

Amores, 

Hoje faz 5 meses que começou a quarentena. Por coincidência também é meu aniversário de 45 anos. Passei o dia todo corrigindo tarefas para fechar a nota até amanhã, prazo máximo dado pela direção para fechamento do 1º bimestre. Fui meio pega de surpresa. Achei que só fecharíamos as notas no final do semestre, já que ele ficou menor e conturbado. Desde quarta da semana passada estou trabalhando mais para colocar tudo em dia, pois eu fiquei 20 dias mal da dengue e ainda sofro muito para mexer na plataforma. Além disso, quando vocês mandam fotos de escritos no caderno fica muito mais difícil e demorado para corrigir. Estamos todos aprendendo a lidar com a educação remota. Já evolui, mas tenho muito que aprimorar. Sei que vocês estão fazendo o que podem também. Na hora da correção sinto que sou dura, mas alivio ao definir a nota final. Quero mostrar em que devem melhorar, mas sei das inúmeras dificuldades e superações que estão passando, como eu também. Sinto que estou ficando mais sábia, superando antigas neuroses e abrindo espaço efetivo para realizar sonhos e me cuidar. Nesse exato momento estou muito cansada, mas em geral estou fazendo de tudo um pouco com mais leveza do que fazia antes. Espero que consiga passar essa tranquilidade a vocês. Estamos juntos nessa jornada e quero apoiá-los o máximo que eu puder. 

Estou terminando de corrigir os exercícios do livro e entrarei na redação final em grupo na sequência. Essas duas atividades foram as que mais valeram até agora, pois leitura e escrita são habilidades básicas para qualquer cidadão. A redação coletiva exige mais recursos acadêmicos e sociais de vocês, me sinalizando de fato o que aprenderam no bimestre a ponto de conseguirem expressar. Essa tarefa parte da temática "A formação dos jovens na atualidade", em homenagem ao dia do estudante (11/8). A ideia é escrever um texto bem articulado, ancorando todo o conteúdo sociológico aprendido na análise da obra do PAS: "Aos olhos de uma Criança" - clipe Emicida. 

 

 A música é trilha sonora do filme "O menino e mundo", animação longa metragem brasileira excelente! Não consegui disponibilizar aqui, mas quem conseguir o link pela internet me manda por zap que eu publico.

Nesta sexta às 15h farei um meet de atendimento aos alunos que estão com dúvidas em relação às notas. Minha meta é entregar no grupo de aulas de sociologia as planilhas de notas das turmas até 14h. Na próxima semana teremos conselhos de classe e depois farei reunião on-line com os responsáveis de vocês. 

Infelizmente me frustrei na minha meta. Mas escrevi dois textos que vou disponibilizar na plataforma e abaixo, sobre minhas angústias no processo de fechamento do bimestre: 

CONSIDERAÇÕES SOBRE AVALIAÇÕES E NOTAS

    Fechar o bimestre é a tarefa mais difícil e chata para mim, enquanto professora. Avalio o tempo todo e troco percepções, porém colocar isso em algarismos é outra história. A nota é injusta por fundamento. É desumano definir em um número frio e vazio o processo de aprendizagem de alguém, o qual mal conheço.
    Tenho cerca de 200 alunos a cada semestre. Dificilmente consigo aprender o nome da maioria. Leio com carinho e atenção todas as tarefas que me entregam, dando dicas para melhorar o aprendizado. No entanto, quando dou a nota, geralmente sinto mal estar, como se algo estivesse errado. E está! Esse é o momento mais conflituoso da relação professor-aluno. Todo o trabalho que faço de inclusão, apoio mútuo, compreensão, diálogo e estimulação se perde um pouco quando chegam os “resultados”.    Ninguém quer ser julgado como um número! É justo que os estudantes se sintam injustiçados. Às vezes até se acham perseguidos (muito comum na adolescência). Mas o que fazer?
    Sempre há coisas que não gostamos no trabalho, na casa, nas relações, no sistema. Maturidade é saber lidar com isso, fazendo escolhas e assumindo responsabilidades. Então, lido da seguinte forma com essa chatice de nota: uso como instrumento para estimular a dedicação ao estudo. Gosto de dar pontos extras por isso. Quanto mais a pessoa consegue fazer mais ganha, sem limites. Aqueles que têm dificuldades, por diversos motivos, deixam de ganhar alguns pontos, mas sempre podem ganhar outros e vencer os obstáculos do sistema. Nessa perspectiva, a nota entra como pontuação de jogos, para estimular a brincadeira, sem o peso de avaliar ou definir a pessoa. Gostaria que internalizassem essa percepção mais lúdica das notas para o processo de aprendizagem de vocês ser mais leve, saudável, feliz e nossa relação ficar cada vez melhor.
    Lembrem sempre do nosso principal motivo de estarmos aqui: APRENDER. O que aprendemos ninguém nos tira nem se perde. A avaliação é importante nesse processo, com ou sem nota. Faz parte da troca, do autoconhecimento e do aperfeiçoamento pessoal ou coletivo. Estou aberta à avaliação de vocês, pois quero estar sempre melhorando meu trabalho e minha ação no mundo. Com diálogo, amor e dedicação construiremos uma aula, uma escola e uma sociedade cada dia mais satisfatória para todos. “Sonho que se sonha junto é realidade” (Raul Seixas)


AVALIAÇÃO E NOTAS NA PANDEMIA

    As dificuldades no processo de avaliação estão aumentadas na pandemia. Fomos todos surpreendidos e estamos nos adaptando, sem certezas ou controle. Como avaliar e dar notas neste contexto em que o novo e o precário nos cercam cotidianamente? Que parâmetros usar? Qual nosso objetivo aqui? Onde queremos chegar? Essas questões estão presentes constantemente enquanto elaboro, corrijo e dou notas em tarefas, tornando esse processo mais lento e angustiante. Mas como evitar essa reflexão? Como professora de Sociologia devo estimular o senso crítico, a reflexão e desnaturalização das relações e padrões estabelecidos.
    Como docente fiz a escolha de usar a avaliação e a pontuação para estimular o estudo. Aprendi que se dou nota alta para todos, os estudantes se sentem pouco reconhecidos. Por outro lado, quando dou notas baixas, ficam com raiva da disciplina, de mim ou de si mesmo. Nos dois casos, a produção tende a cair e, em consequência, o aprendizado também. Então, procuro fazer tarefas diversas que mobilizem recursos variados, de modo que todos, com suas facilidades e dificuldades distintas, consigam realizar uma média razoável de trabalhos. Claro que sempre têm aqueles que fazem tudo e tiram notas acima de 10 pontos. Também é recorrente uma pequena porcentagem de alunos que ficam abaixo da média. Isso era fácil de resolver, adequando os exercícios seguintes, com graus de dificuldades diferentes, dentro da zona de desenvolvimento de cada grupo. Dessa maneira todos eram estimulados no que precisavam e davam conta. Além disso, sempre estimulei a troca de conhecimentos com atividades coletivas.
    Agora, como fazer isso na quarentena? As primeiras atividades coletivas me decepcionaram um pouco. Por outro lado, as últimas me deixaram razoavelmente satisfeita. Todas me deram muito trabalho para orientar e corrigir. Levei muito mais tempo do que eu esperava e entrei muito mais em crise para fechar o bimestre. É claro que tenho outras demandas em casa e existenciais, das quais era livre antes. Mas o que me incomoda profundamente na condição atual é a sensação de impotência frente aos excluídos do processo. O que podemos fazer com os que estão com acesso remoto limitado? O que essas pessoas estão passando? Será que o aluno deixou de fazer por escolha ou falta dela? A nota baixa vai estimulá-lo a correr atrás do prejuízo ou vai desanimá-lo geral? Por outro lado, tem aqueles que fizeram tudo, mas com um grau de dificuldade baixo (já que à distância minha condição de apoio é menor). A nota muito alta vai reforçar o comportamento dedicado ou gerar apatia por sentirem que já sabem tudo o que precisam?
    Estou compartilhando esses dilemas, para ter empatia e apoio de vocês. Juntos somos mais fortes e sábios. Nosso objetivo principal é comum: O APRENDIZADO PARA A QUALIDADE DE VIDA DE TODOS. Recebam as notas com esse olhar, para crescerem e se apoiarem. Ela é um recurso, um meio, um índice de pesquisa, jamais um fim em si. Estamos todos sempre em processo de formação e desenvolvimento. O fim é a morte. Queremos viver, crescer, amar, trocar, criar, semear, sonhar, inovar, entre tantas outras coisas que nunca caberão em um número frio e burocrático. Somos muito mais! Sigamos juntos, de mãos dadas.


segunda-feira, 20 de julho de 2020

4 meses de quarentena e volta às aulas com dengue

Amores,

é realmente uma provação esta quarentena. Além da extensão, a ansiedade e insegurança, também tive muitas questões que também afetaram minha disposição física. Estou exaurida com os cuidados de 4 filhos e da casa sem apoio profissional, com o longo sangramento do aborto e agora ainda veio a dengue. A princípio suspeitamos de covid, pois os sintomas são parecidos. Fiquei uma semana isolada totalmente, com meu marido deixando comida, água e remédios na porta do quarto, até sair o resultado do exame. Nesse período continuei trabalhando, porque apesar das dores e a fraqueza, ainda conseguia sentar. Conversar com vocês me animava e elaborar tarefas me mantinha ocupada, ajudando a esquecer o isolamento. Quando saiu o resultado foi um alívio poder voltar a abraçar as pessoas e andar pela casa. Porém, as dores de estômago, os vômitos e diarreias ficaram mais fortes. Fiquei tão debilitada que acabei entrando de licença médica. Fiz várias consultas com médicos diferentes, por meio de telemedicina, para ver se melhorava minhas dores, agora lancinantes. Praticamente não conseguia reter nenhum alimento. Fui ficando cada vez mais fraca e com mais medo de ir ao hospital e pegar covid. Fiz exame de abdômen total, no qual vimos sequela na vesícula biliar, o que explica as dores fortes. Tenho mais uma consulta marcada e devo continuar mais essa semana de licença médica. Sinto muito por isso, mas entendo que o maior aprendizado dessa quarentena é o do cuidado, seja pessoal, coletivo ou sistêmico. Nossas tarefas e projetos apontam também nesse sentido. Agora, vamos fazer o exercício de relacionar essas tarefas e encontros sobre o cuidado e a pandemia com o conteúdo sociológico propriamente dito. Começaremos resgatando o que já estava sendo ensinado antes da quarentena, com a leitura das postagens anteriores e comparação com as tarefas recentes. Qual a relação? Como vocês entendem ou quais as suas dúvidas de tudo o que foi visto até agora? Na próxima semana, discutiremos essas questões nos encontros por meet nos horários previamente definidos de acordo com a grade passada pela direção:


 HORÁRIO DE MEET DE SOCIOLOGIA POR TURMA: 

TURMA
HORÁRIO DO MEET
1º H
2ª feira 15h
1º I
3ª feira 15h
1º K
4ª feira 14h
2º H
5ª feira 15h
2º I e 2ºJ
6º feira 15h

 As duas últimas turmas foram unidas para evitar choque com o projeto do professor de geografia e também dar um quantitativo maior de alunos nas reuniões semanais, já que o 2i tem apenas 10 alunos frequentes.

Estamos todos nos acostumando a essa nova realidade que não escolhemos, mas é o que temos para hoje. A nossa saúde e segurança são o que mais importa no momento. Faremos o nosso melhor, de modo a aprendermos o máximo possível com as adversidade.
Grata pelo apoio e compreensão. Juntos somos mais fortes!